Leia esse trecho publicado na revista Época, 02/01/2012. Visite o site, assine:
Época
A classe operária perto do paraíso
ÉPOCA (SP) • ECONOMIA • 1/1/2012
Os metalúrgicos estão cursando faculdades, ganham mais e recebem participações nos lucros que passam de R$ 10 mil por ano. Com um impulso do governo Lula, eles vivem a melhor fase de sua história.
O estacionamento dos funcionários da fábrica da Mercedes-Benz na Rodovia Anchieta, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, tem cerca de 3 mil vagas – e está sempre lotado. Como nos shopping centers, quem chega à Mercedes tem dificuldade para encontrar espaço. O mesmo acontece no estacionamento da Volkswagen, perto dali. Se tudo der certo, em breve Bruna Oliveira, de 21 anos, será a próxima a disputar uma vaga no estacionamento da Mercedes. Há um ano e meio, ela trabalha na montagem de motores de ônibus e caminhões na fábrica. Em 2012, Bruna quer um carro para facilitar o deslocamento do trabalho ao curso de engenharia de produção, que vai começar na Fundação Santo André, na cidade vizinha. Assim como Bruna, milhares de metalúrgicos melhoraram de vida nos últimos anos.
Seus reajustes salariais superam a inflação e geram ganhos financeiros que se tornaram a parte mais visível da boa fase atual. O salário médio dos metalúrgicos do ABC está em torno dos R$ 5 mil mensais – sem contar as horas extras. Operários de funções especializadas chegam a ter salários de R$ 9 mil. Quase todos são obrigados, pelos recordes nas vendas, a fazer horas extras – e podem ganhar até R$ 800 adicionais por um único domingo de trabalho. Há ainda abonos salariais e bônus generosos, conhecidos pela sigla PLR (participação nos lucros e resultados). No ABC, a média de remuneração variável no ano passado ficou entre R$ 10 mil e R$ 16 mil. Na fábrica da Renault, em Curitiba, Paraná, os metalúrgicos obtiveram um acordo para receber R$ 60 mil por três anos. Se não foi ao paraíso, como preconizava o título do filme do italiano Elio Petri, a classe operária brasileira está perto dele. (...)